quinta-feira, 21 de junho de 2012

Díli, 29 de Maio de 2012 (e terminado a 10 de Junho...)

E eis que tudo se precipitou. Dia 22 recebemos um email a avisar que a viagem aconteceria no dia 24. Escalas: Frankfurt, Doha, Singapura, Bali.


As despedidas da família são cada vez mais difíceis…


A viagem correu bem. Apesar de não conseguir dormir, acho que já aprendi a deixar o tempo passar sem me preocupar muito com ele. Vi alguns episódios do Glee, não tinha capacidade de concentração para ver filmes. Também não consegui ler.


Chegar a Timor foi muito bom, parece que nunca saí. Senti o mesmo calor, a mesma familiaridade… apesar de alguns sítios estarem um pouco mais polidos, tudo o que era bom continua bom e o que não era… continua à espera de melhores dias.


Explico: Díli está um pouquinho mais limpa e menos esburacada. A marginal está toda renovada: tem passeios marítimos, bancos a imitar sofás e uma zona com ondas de wi-fi, perto do largo de Lacidere. Há casas de banho, daquelas plásticas, de festival, mas já estão seladas com fita-cola. Do lado da avenida do farol também há mudanças: está tudo esburacado à espera de passeios mais sofisticados. Em ambas as avenidas, todos os dias é possível ver pessoas a recolher lixo e a lavar a obra feita. Espero que o estado de limpeza seja para manter e para promover!


Os preços estão altíssimos, quer nos supermercados, quer no mercado em frente ao Lita. Um saco de legumes para sopa custa 7.20 USD. Pediram-me 3 USD por um ananás minúsculo…


Cheguei a tempo do desluto de um amigo. O desluto é uma cerimónia que se faz um ano depois da morte de alguém. Serve para deixar a roupa preta e para, mais uma vez, prestar homenagem a quem morreu.


No caso, fiquei muito satisfeita por ter chegado a tempo, a pessoa em causa era de família, apoiou-nos muito quando precisámos, era incansável. Ver o estado a que chegou foi muito triste. Tive oportunidade de vê-lo antes de sair, em Outubro de 2010 e foi mau.


A cerimónia incluiu uma missa, uma ida ao cemitério com deposição de flores e um jantar de confraternização. Foi nesta fase que participei. Para quem não está habituado a este tipo de cerimónias, pode parecer um pouco estranho, mas até fazem um certo sentido. É como que uma forma de, colectivamente, a família e os amigos “terminarem” o período de maior dor, de se confortarem pela perda…

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