29 de Abril de 2008
Houve muitos anúncios, mas hoje é que foi. Hoje o Gastão Salsinha chegou, finalmente, a Díli.
Este é o momento por que esperávamos. Digo esperávamos porque se acredita que este seja um importante contributo para o final da crise política que começou há dois anos.
Helicópteros sobrevoavam o céu sem parar, quando saí da aula percebi o motivo: Salsinha tinha acabado de chegar. As estradas à volta do Palácio do Governo estavam hiper-congestionadas. Para voltar para casa tivemos que dar uma volta diferente, uma vez que a universidade fica mesmo ao lado do Palácio do Governo, e era para lá que ele estava a ser levado, para ser entregue ao primeiro-ministro, segundo me contaram.
Infelizmente ainda não falo tétum e por isso pouco prcebi das notícias actualizadas e em directo que não paravam de sair do rádio do carro.
Tem acontecido tanta coisa importante de que não tenho falado. Algumas coisas são muito súbtis, daquelas de todos os dias, que parecem insignificantes mas não são, outras são grandes…
A primeira de que quero falar é triste e estúpida, para não dizer mais.
Uma das minhas colegas timorenses da universidade falou-me de uma criança que tinha sido degolada num bairro nos arredores de Díli. Segundo consta, há um fenómeno natural na Indónesia, que pelo que percebi – talvez tenha percebido mal – mais não é do que um géiser – que, quando se manifesta é preciso acalmar. Ora, que melhor maneira de acalmar a natureza do que sacrificar uma criança? Pelos vistos não é só uma, pelo que me disseram têm que ser 30 000! Chocante.
Entre 19 e 23 de Abril, decorreu em Díli a Feira do Livro em Português. Foi uma feira em grande, com vários escritores presentes, vários livros apresentados e algumas conferências e encontros interessantes.
Estiveram presentes Luís Cardoso, António Monteiro Cardoso (que não são familiares, o primeiro é um escritor timorense que vive em Portugal, que veio apresentar o livro Requiem para um Navegador Solitário, e o segundo é um historiador português, que veio apresentar o livro Timor na 2.ª Guerra Mundial, As Crónicas do Tenente Pires), António Berbedo de Magalhães (que apresentou Timor-Leste, Interesses internacionais e Actores Locais), e Pedro Rosa Mendes (jornalista da Lusa em Timor e talentoso escritor, que apresentou Madre Cacau, um livro que editou em parceria com Alain Corbel, em 2004).
Estive na apresentação do livro de Luís Cardoso e no de Pedro Rosa Mendes. Não consegui comprar o primeiro, as consegui comprar o segundo. Comecei a lê-lo momentos antes da apresentação. Promete.
Também fui assistir à conferência Timor-Leste: Que futuro?, que contou com a presença de todos os escritores que referi e ainda com Abe Barreto, um outro escritor timorense. Comigo estava um auditório cheio de gente. Várias questões foram levantadas, como a riqueza que tarda em concretizar-se e, como não podia deixar de ser, a questão da escolha do português como língua oficial.
Pelos intervenientes, e em resposta a algumas provocações da plateia, ficou a ideia de uma escolha com base na construção de uma identidade que se quer afirmar numa zona geográfica onde se corria o risco de ser mais do mesmo. Outra forma interessante de ver a questão é como mais um desafio que se coloca à Nação timorense.
Na Feira do Livro esteve também uma exposição de Nelson Turquel, um fotógrafo timorense com muito talento. Os textos das fotos estavam à altura e foram escritos por Dulce Turquel. É uma pena não poder fazer das minhas lembranças a imagem que os vossos olhos vêem… em todo o caso, acredito que o talento deles chegará a vós um dia.
O tremor de terra…
Dia 19, no mesmo dia da abertura da Feira, de manhã, estavamos na praia, deitadinhos na toalha, quando sentimos a terra tremer, um abalo forte. A minha primeira reacção foi apoiar as mãos no chão… Foi interessante o sentimento. Quando estou num avião e há turbulência só me quero apanhar no chão. Quando a terra treme… é a terra que treme! Nem o chão que temos debaixo dos pés é seguro.
Mas não foi tudo, por volta das 20h, estavamos na sala cá de casa, eu, o Nelson e a Mara, cada um instalado no seu sofá e a terra tremeu outra vez. Desta vez pudemos ouvir o tecto, de contraplacado, a ranger. Tivemos direito a correr para baixo da ombreira da porta e tudo. Mas foi uma réplica pequena e nada mais aconteceu. Foi coisa de poucos segundos. Deu para recordar o que se aprende na escola e para rir com a reacção instantanêa.
Fiquei mais tarde a saber pelo meu irmão que o abalo da manhã foi de 6.5 na escala de Richter.
Neste mesmo fim-de-semana fiquei a saber de mais uma coisa muito estúpida. No mesmo dia da chegada do presidente, um polícia, irmão de um dos motoristas do Centro de Língua Portuguesa em Díli, morreu num acidente de viação. E não, não foi contra nada nem ninguém, ninguém foi contra ele. Foi muito mais estúpido que tudo isso: caiu num buraco. Imaginem o tamanho do buraco.
Passando para notícias mais alegres, muito mais alegres.
O Lore e o Camões, os cães cá da casa, estão o máximo. O Lore já tem dois anos e meio, quase. O Camões tem meses, meio ano, talvez. Estão em fases diferentes da vida. O Lore só quer que o deixem dormir, o Camões só quer brincar. Anda atrás do Lore e provoca, provoca. O resultado às vezes é que o Lore, aborrecido até mais não, resolve brincar e começa a correr com todas as forças que tem e o Camões não o consegue acompanhar. Qualquer dia há um fosso à volta dos contentores que temos quintal!
O Lore é um cão lindíssimo, sempre foi. O Camões foi-me descrito como um cão muito feio, sem cor definida, enfezado, muito medroso…
A verdade é que é um cachorro lindo, amarelo, com manchas brancas, rabo meio branco… um amor. Era medroso sim, mas agora vem ter connosco, faz chantagem comigo para lhe dar comida todos os dias ao almoço. Tem uns olhos lindos e meigos! Quando me sento no sofá vem lamber-me os pés. E às vezes acordamos com o alpendre cheio de terra, de alguma coisa que ele trouxe para brincar durante a noite. Quando pouso a mochila ele vem roer as fivelas. E já nos roubou uma luva de cozinha para brincar.
Temos ido com eles à praia. O Camões é um grande nadador, o Lore tem um medo de água impressionante. São os dois grandes investigadores, passeiam pela praia toda, deserta, para além de nós, e encontram muitos ossos que ficam de outros almoços – sim, os timorenses fazem o almoço na praia.
Este fim-de-semana fomos à praia. E levámos os cães. Em frente e à volta da casa do presidente, onde temos que passar, a segurança é apertadíssima, com muitas barreiras militares.
Para lá não nos mandaram parar, para cá sim. Um dos soldados altamente armados perguntou-nos se tínhamos tido uma boa manhã de praia. Dissemos que sim. Ele confirmou e disse que nadava bem, que nos viu. Respondi que sim, que o Camões nadava bem, mas que o Lore não gostava muito (claro que só apontei para os cães, não disse o nome!). Percebi depois que o Sr. estava a falar de mim. Valeram a pena as aulas de natação! Saudades!!!
A chuva, que por aqui, quando cai, cai mesmo deu-nos direito a mais uma tarde com alguns motivos para rir, porque a alternativa era apanhar banhos diluvianos cada vez que tinhamos que sair. E direito a passar em buracos que mais pareciam piscinas.
A parte má da tarde foi ver os campos de refugiados mais que inundados e ter a certeza de que as pessoas não vão sair de lá.
Estou a devorar livros. Desde que saí de portugal já li:
• O lado selvagem, de Jon Krakauer, que me desiludiu um bocadinho; esperava uma coisa diferente.
• Me and Mr Darcy, de Alexandra Potter. Eu e esta senhora temos mesmo muitas coisas em comum. As referências são as mesmas. E sim, ambas encontrámos o nosso Mr. Darcy.
• As velas ardem até ao fim, de Sándor Márai. Muito bonito, sem dúvida. Foi-me recomendado há uns anos por uma pessoa especial. Gostei de mais este encontro de gostos.
• Há monstros debaixo da cama?, de Bill Watterson. Calvin & Hobes no seu melhor.
• Marley & Me, de John Grogan. Resisti a este livro como resisto a todos os best sellers, normalmente. Fiquei tão feliz por ter cedido! Em Bali, a prever que não iria ter muito para ler por prazer durante os quatro meses aqui, comprei dois livros o Mr. Darcy e este. O primeiro é light, sem dúvida. Este é… fabuloso! É lindo, tudo, desde o nício até ao fim. No final chorei um bocado, não consegui evitar. É uma história verídica. E para além disso é a história de um cão de uma das minhas duas raças favoritas. Acho que qualquer pessoa que gosta de animais como eu choraria. É lindo, lindo, lindo. Pensei logo em algumas pessoas a quem o vou oferecer. E cada vez tenho mais vontade de ter um labrador lindo quando for grande.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
17 de Abril de 2008
Hoje foi o dia do regresso do Presidente.
Foi uma festa. Os estudantes, das escolas primárias à universidade foram chamados a fazer um cordão humano nas estradas onde a caravana presidencial ía passar. A eles juntaram-se muitas centenas de pessoas. A cidade não parou porque o povo estava na rua. Mas nada funcinou como normalmente.
Eu não tive alunos na aula das oito. E confesso, também estive a ver o Presidente. De uma janela da universidade, discretamente, mas também estive por lá.
Em Timor é tudo diferente, tudo é vivido com mais intensidade. Em portugal eu nunca abdicaria do meu quotidiano para ir ver o presidente da república, se fosse o Dr. Jorge Sampaio, talvez… É verdade que Portugal está numa situação política diferente, que o nosso presidente não foi, felizmente, baleado… mas tudo, até as coisas mais simples, é vivido de maneira diferente.
Tudo está a correr bem, felizmente. Acho que já o disse antes, mas volto a dizer: gosto muito das minhas turmas e o meu trabalho também me deixa feliz. Tudo me deixa feliz.
Ainda não tenho a vida que gostaria. Vinha cheia de planos: ginástica, natação, yoga, mestrado… a verdade é que só ontem é que tentei fazer uma sequencia mais ou menos organizada de yoga; nadar, nadei no domingo, na praia, e apanhei um escaldão; mestrado, pousei os livros quando cheguei.
Acho que para cumprir o que prometi a mim mesma, só se fizer um horário detalhado do meu dia. Tem que ser!
Domingo fmos à praia. Levámos os cães. Foi o máximo. O Loré tem muito medo de água, mas o Camões entrou logo, foi o máximo. E a praia é linda. Parecia uma piscina de água quente, pouquinhas algas. Muito bom. Nadei um bocado, mas não foi a puxar, como nas aulas de natação. Tenho saudades disso, de entrar na piscina e dar tudo. Quero ver se consigo reproduzir o espírito nas próximas visitas.
Estou toda picada. As minhas pernas estão cheias de marcas vermelhas, umas maiores outras mais pequenas, umas mais claras, outras mais escuras. Estou a ser literalmente devorada por mosquitos e melgas… e ando sempre com repelente. Não consigo entender! Como sempre fui muito atacada, acho que já desenvolvi uma grande capacidade de resistência, mas isto é demais.
E para melhorar a situação, repelente tenho muito, mas fenistil só trouxe duas bisnagas e a primeira está no fim. Help!
Hoje foi o dia do regresso do Presidente.
Foi uma festa. Os estudantes, das escolas primárias à universidade foram chamados a fazer um cordão humano nas estradas onde a caravana presidencial ía passar. A eles juntaram-se muitas centenas de pessoas. A cidade não parou porque o povo estava na rua. Mas nada funcinou como normalmente.
Eu não tive alunos na aula das oito. E confesso, também estive a ver o Presidente. De uma janela da universidade, discretamente, mas também estive por lá.
Em Timor é tudo diferente, tudo é vivido com mais intensidade. Em portugal eu nunca abdicaria do meu quotidiano para ir ver o presidente da república, se fosse o Dr. Jorge Sampaio, talvez… É verdade que Portugal está numa situação política diferente, que o nosso presidente não foi, felizmente, baleado… mas tudo, até as coisas mais simples, é vivido de maneira diferente.
Tudo está a correr bem, felizmente. Acho que já o disse antes, mas volto a dizer: gosto muito das minhas turmas e o meu trabalho também me deixa feliz. Tudo me deixa feliz.
Ainda não tenho a vida que gostaria. Vinha cheia de planos: ginástica, natação, yoga, mestrado… a verdade é que só ontem é que tentei fazer uma sequencia mais ou menos organizada de yoga; nadar, nadei no domingo, na praia, e apanhei um escaldão; mestrado, pousei os livros quando cheguei.
Acho que para cumprir o que prometi a mim mesma, só se fizer um horário detalhado do meu dia. Tem que ser!
Domingo fmos à praia. Levámos os cães. Foi o máximo. O Loré tem muito medo de água, mas o Camões entrou logo, foi o máximo. E a praia é linda. Parecia uma piscina de água quente, pouquinhas algas. Muito bom. Nadei um bocado, mas não foi a puxar, como nas aulas de natação. Tenho saudades disso, de entrar na piscina e dar tudo. Quero ver se consigo reproduzir o espírito nas próximas visitas.
Estou toda picada. As minhas pernas estão cheias de marcas vermelhas, umas maiores outras mais pequenas, umas mais claras, outras mais escuras. Estou a ser literalmente devorada por mosquitos e melgas… e ando sempre com repelente. Não consigo entender! Como sempre fui muito atacada, acho que já desenvolvi uma grande capacidade de resistência, mas isto é demais.
E para melhorar a situação, repelente tenho muito, mas fenistil só trouxe duas bisnagas e a primeira está no fim. Help!
Díli, 10 de Abril de 2008
A chuva lá fora cai como se quisesse abafar tudo, apagar tudo. Cai com tanta força que não consigo ouvir mais nada. É assim Timor. Tudo tem muita força. O bom e o mau.
Faz hoje duas semanas que regressei. Se no início da semana me sentia distante, agora sinto que nunca saí. As coisas permanecem basicamente na mesma, eu é que estou diferente. E gosto de estar diferente. Estou a recuperar o amor saudável que tinha por tudo. Ando na rua e sei que sou eu, que estou mais forte, mais colorida.
Os últimos meses que aqui tinha passado foram difíceis. Não por causa exteriores a mim, era eu que não estava bem.
Agora estou a recuperar o gosto por andar na rua e dizer bom dia a quem passa. Estou a recuperar os sorrisos, aqueles sorrisos que só os timorenses têm. Rasgados, verdadeiros, até à alma, a deles e a minha.
Estou a redescobrir o verde das montanhas, o azul do mar. Sei que estas podem parecer afirmações vulgares, clichés quase. Mas sei que quem já as viveu sabe do que falo. E àqueles que não sabem só quero dizer que gostava muito, de coração, que soubessem. E ainda há muito tempo para saber!
Está tudo a correr muito bem. Eu estou bem, as aulas têm corrido bem. É muito bom estar de regresso a uma sala de aula!
Sei que desta vez vai ser tudo diferente. Vai ser tudo melhor!
Hoje passei em companheirosviagem.blogspot.com e vi que a Vânia apareceu, finalmente. Fiquei muito feliz querida amiga! Que saudades dos meus Companheiros de Viagem! Que vidas as nossas, sempre com tantas voltas e com tão poucas em comum nos últimos tempos!
A mensagem é: estou bem, estou feliz!
Quando regressar vamos poder recuperar de todas as distâncias, espero.
Do que é que já tenho saudades (reparem que é do que e não de quem…):
• da piscina municipal da Covilhã. Já não nado desde dia 19 de Março, o que é para mim uma tragédia. E sim, sei que por aqui há muito mar, mas tem chovido imenso todas as tardes…
• do complexo desportivo da Covilhã. Fazer ginástica sozinha não tem muita piada. E não tenho tapete para yoga e o chão é desconfortável…
• do meu carro. Vi um igual cá e fiquei nostálgica.
Muitas saudades a todos!
A chuva lá fora cai como se quisesse abafar tudo, apagar tudo. Cai com tanta força que não consigo ouvir mais nada. É assim Timor. Tudo tem muita força. O bom e o mau.
Faz hoje duas semanas que regressei. Se no início da semana me sentia distante, agora sinto que nunca saí. As coisas permanecem basicamente na mesma, eu é que estou diferente. E gosto de estar diferente. Estou a recuperar o amor saudável que tinha por tudo. Ando na rua e sei que sou eu, que estou mais forte, mais colorida.
Os últimos meses que aqui tinha passado foram difíceis. Não por causa exteriores a mim, era eu que não estava bem.
Agora estou a recuperar o gosto por andar na rua e dizer bom dia a quem passa. Estou a recuperar os sorrisos, aqueles sorrisos que só os timorenses têm. Rasgados, verdadeiros, até à alma, a deles e a minha.
Estou a redescobrir o verde das montanhas, o azul do mar. Sei que estas podem parecer afirmações vulgares, clichés quase. Mas sei que quem já as viveu sabe do que falo. E àqueles que não sabem só quero dizer que gostava muito, de coração, que soubessem. E ainda há muito tempo para saber!
Está tudo a correr muito bem. Eu estou bem, as aulas têm corrido bem. É muito bom estar de regresso a uma sala de aula!
Sei que desta vez vai ser tudo diferente. Vai ser tudo melhor!
Hoje passei em companheirosviagem.blogspot.com e vi que a Vânia apareceu, finalmente. Fiquei muito feliz querida amiga! Que saudades dos meus Companheiros de Viagem! Que vidas as nossas, sempre com tantas voltas e com tão poucas em comum nos últimos tempos!
A mensagem é: estou bem, estou feliz!
Quando regressar vamos poder recuperar de todas as distâncias, espero.
Do que é que já tenho saudades (reparem que é do que e não de quem…):
• da piscina municipal da Covilhã. Já não nado desde dia 19 de Março, o que é para mim uma tragédia. E sim, sei que por aqui há muito mar, mas tem chovido imenso todas as tardes…
• do complexo desportivo da Covilhã. Fazer ginástica sozinha não tem muita piada. E não tenho tapete para yoga e o chão é desconfortável…
• do meu carro. Vi um igual cá e fiquei nostálgica.
Muitas saudades a todos!
Díli, 2 de Abril de 2008
Sei que não estou a cumprir o meu objectivo de escrever todos os dias, mas os primeiros dias são sempre complicados.
As aulas estão a correr bem. Tenho duas turmas, uma de 2.º ano e a outra de 4.º. Esta tem 6 alunos, a primeira deverá ter 34. Deverá porque há pessoas com a disciplina em atraso, outros de 1.º ano que se inscreveram.
Regressar foi muito bom, sinto-me bem. Ainda não andei muito sozinha pela cidade, como nos velhos tempos, e até sinto alguma estranheza, mas só aquela normal dos tempos de afastamento.
Só tenho aulas de manhã. Depois disso venho para casa e rendo-me ao trabalho e ao jet lag.
Começo a trabalhar depois de almoço e, por volta das 15h, começo a cair de sono. Estou a tentar contrariar a vontade de dormir, mas nem sempre com sucesso.
Ontem acabei de ver a segunda série da Anatomia de Grey. É forte!
Sei que não estou a cumprir o meu objectivo de escrever todos os dias, mas os primeiros dias são sempre complicados.
As aulas estão a correr bem. Tenho duas turmas, uma de 2.º ano e a outra de 4.º. Esta tem 6 alunos, a primeira deverá ter 34. Deverá porque há pessoas com a disciplina em atraso, outros de 1.º ano que se inscreveram.
Regressar foi muito bom, sinto-me bem. Ainda não andei muito sozinha pela cidade, como nos velhos tempos, e até sinto alguma estranheza, mas só aquela normal dos tempos de afastamento.
Só tenho aulas de manhã. Depois disso venho para casa e rendo-me ao trabalho e ao jet lag.
Começo a trabalhar depois de almoço e, por volta das 15h, começo a cair de sono. Estou a tentar contrariar a vontade de dormir, mas nem sempre com sucesso.
Ontem acabei de ver a segunda série da Anatomia de Grey. É forte!
26 de Março de 2008, The Vira Bali Hotel, Indonésia, 7:16
Os grandes sucessos do momento na Indonésia parecem ser Ingat Gamu de Maia e Love Song de Sara Bareilles.
A viagem de Hong Kong – onde comecei logo a encontrar gente conhecida – para Bali, de 4:30 mais ou menos, foi uma seca. Desde Lisboa, a foi sempre a correr de avião para avião, não tive um momento para me sentar, descansar. Já não tinha rabo! Tive que me levantar durante um bocado para ver se o resto da viagem era menos penoso.
Em Bali senti uma enorme familiaridade. Parece que estou em transe… Parece que ainda ontem aqui estive, que nunca fui embora…
Depois de um muito desejado banho fui, com o único colega que veio comigo, até ao Centro. Claro que fui à Breadtalk, uma pastelaria/padaria que adoro. Para beber, um sumo da New Zealand (só de nome, parece-me!).
Fomos comer para a praia.
O calor e a humidade quase sufocam, e foi estranho deixar o casaco e as duas camisolas e passar para cavas… é o transe!
Depois do lanche fomos dar uma volta pelas lojas. Combinámos encontrar-nos às 18:30. E aí aconteceu. Numa das lojas em que entrei ouvi a Rita falar. Virei-me para trás e aí estava ela com a Ana, recém-chegadas da Austrália.
Foi uma muito agradável surpresa.
Jantámos juntas. Depois, o meu colega seguiu com elas para o centro da cidade e eu vim para o hotel.
Pensei que seria difícil dormir; mas eis a surpresa: dormi até às 3 da manhã, telefonei à minha mãe mas acabei a falar com o meu irmão, e dormi até às 6:30, quando começou a haver barulho nos corredores.
A tranquilidade impera. Sinto-me tão tranquila que até estou a estranhar.
Estou feliz por ter vindo, tenho muita vontade de ver muita gente, de voltar ao meu 2.º país do coração.
Foi muito difícil deixar quem amo, mas deste lado também tenho pessoas que amo muito… Estou dividida…
Quero que tudo dê certo, quero sentir-me bem e fazer um bom trabalho.
Agora: pequeno-almoço!
Os grandes sucessos do momento na Indonésia parecem ser Ingat Gamu de Maia e Love Song de Sara Bareilles.
A viagem de Hong Kong – onde comecei logo a encontrar gente conhecida – para Bali, de 4:30 mais ou menos, foi uma seca. Desde Lisboa, a foi sempre a correr de avião para avião, não tive um momento para me sentar, descansar. Já não tinha rabo! Tive que me levantar durante um bocado para ver se o resto da viagem era menos penoso.
Em Bali senti uma enorme familiaridade. Parece que estou em transe… Parece que ainda ontem aqui estive, que nunca fui embora…
Depois de um muito desejado banho fui, com o único colega que veio comigo, até ao Centro. Claro que fui à Breadtalk, uma pastelaria/padaria que adoro. Para beber, um sumo da New Zealand (só de nome, parece-me!).
Fomos comer para a praia.
O calor e a humidade quase sufocam, e foi estranho deixar o casaco e as duas camisolas e passar para cavas… é o transe!
Depois do lanche fomos dar uma volta pelas lojas. Combinámos encontrar-nos às 18:30. E aí aconteceu. Numa das lojas em que entrei ouvi a Rita falar. Virei-me para trás e aí estava ela com a Ana, recém-chegadas da Austrália.
Foi uma muito agradável surpresa.
Jantámos juntas. Depois, o meu colega seguiu com elas para o centro da cidade e eu vim para o hotel.
Pensei que seria difícil dormir; mas eis a surpresa: dormi até às 3 da manhã, telefonei à minha mãe mas acabei a falar com o meu irmão, e dormi até às 6:30, quando começou a haver barulho nos corredores.
A tranquilidade impera. Sinto-me tão tranquila que até estou a estranhar.
Estou feliz por ter vindo, tenho muita vontade de ver muita gente, de voltar ao meu 2.º país do coração.
Foi muito difícil deixar quem amo, mas deste lado também tenho pessoas que amo muito… Estou dividida…
Quero que tudo dê certo, quero sentir-me bem e fazer um bom trabalho.
Agora: pequeno-almoço!
25 de Março de 2008, 15:40, Cathay Pacific, Amesterdão/Hong Kong
Chegámos com atraso a Amesterdão.
No balcão de transferências encontrei um colega de trabalho. A Cathay não era ali. Corremos tanto para encontrar o sítio certo que o passámos.
Lá conseguimos encontrar o balcão. O Sr. disse-nos que o check in já tinha começado. Corremos mais um pouco. Com a confusão dei o cartão de embarque de Hong Kong/Denpasar. Mas só percebi quando eu o meu colega comparámos os lugares. Voltei para trás, para falar com a hospedeira. Já havia alguém à minha procura para me dar o meu lugar e um bilhete novo para a próxima viagem.
Saímos com uma hora de atraso. Nevava e foi preciso retirar o gelo das asas.
Até o meu casaco já tem urgodermyl…
Estou a ficar com tanto sono!
Ate agora, só lugares à janela. E acho que o próximo também.
Chegámos com atraso a Amesterdão.
No balcão de transferências encontrei um colega de trabalho. A Cathay não era ali. Corremos tanto para encontrar o sítio certo que o passámos.
Lá conseguimos encontrar o balcão. O Sr. disse-nos que o check in já tinha começado. Corremos mais um pouco. Com a confusão dei o cartão de embarque de Hong Kong/Denpasar. Mas só percebi quando eu o meu colega comparámos os lugares. Voltei para trás, para falar com a hospedeira. Já havia alguém à minha procura para me dar o meu lugar e um bilhete novo para a próxima viagem.
Saímos com uma hora de atraso. Nevava e foi preciso retirar o gelo das asas.
Até o meu casaco já tem urgodermyl…
Estou a ficar com tanto sono!
Ate agora, só lugares à janela. E acho que o próximo também.
Lisboa, 25 de Março de 2008, 7:55
Estou de partida outra vez.
A Sra. Do check in deixou-me passar a mala com 25k.
Não consegui o cartão de embarque para Hong Kong e Bali. Em Amesterdão tenho que ir ao balcão de transferências… espero que esteja tudo bem. Pelo menos o papelinho da agência Abreu diz que sim.
O avião chama-se Miguel Torga e é um A319.
Céu muito nublado.
Dormi bem. Fui acordando mas a noite foi tranquila.
As despedidas custaram e custa a ideia de estar longe, mas estou feliz por voltar.
Estou cheia de fome!
Estou de partida outra vez.
A Sra. Do check in deixou-me passar a mala com 25k.
Não consegui o cartão de embarque para Hong Kong e Bali. Em Amesterdão tenho que ir ao balcão de transferências… espero que esteja tudo bem. Pelo menos o papelinho da agência Abreu diz que sim.
O avião chama-se Miguel Torga e é um A319.
Céu muito nublado.
Dormi bem. Fui acordando mas a noite foi tranquila.
As despedidas custaram e custa a ideia de estar longe, mas estou feliz por voltar.
Estou cheia de fome!
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